domingo, 30 de dezembro de 2012

2012

Encontros e desencontros. Amores e desamores.
Amizades construídas, refeitas, amizades destruídas.
Pessoas que vão, outras que voltam e aquelas que não voltam mais.
Histórias que não têm tempo de ser vividas. Contos de fadas que nunca acabam.
Promessas para sempre, experiências vividas, sonhos realizados.
Sentimentos em reboliço.
Pensar rápido e viver ainda mais.

Ano de reviravoltas, de mudanças de rumo, de tiros certeiros e outros tantos no escuro.
Ano de trabalho, de amigos e de amor.
Ano de respirar fundo e agradecer. 

Foste bom, 2012.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Sentir

É quase como se respirasse de alívio a cada passo, como se sentisse que as peças se encaixam na perfeição, como se a harmonia fosse o elo de ligação entre todas as coisas.
Não lhe parece ilusão ou encantamento, nem tão pouco o sente. Sabe que não se assemelha a outra coisa. Sabe bem que não se assemelha a nada. Os batimentos não podiam ser mais certeiros.
O mundo conspira a seu favor e consegue notá-lo a cada olhar, a cada palavra, a cada cheiro de felicidade. Sim, a felicidade tem cheiro.
E é este.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Truques

De interior belo e exterior nem sempre certo,
Com palavras e acções que se misturam,
De mel e com sal,
Nem sempre bem.

Disfarça e não consegue,
Bem que tenta.
Mas é fácil ver para além do que quer mostrar.
Bem fácil.

É o que é.
É como é.
Disfarça, protege, esconde.
Mas não consegue.

De interior belo e é isso que conta.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sinais do Tempo

Mais importante que o movimento em si é a razão pela qual nos movemos. Acredito tanto nisto como na minha própria existência. O que nos leva a determinado lugar, o que nos empurra para alguém. Acredito que a motivação é bem mais forte do que o fim. A intenção berra, esperneia, fala sempre mais alto. A vontade é tudo. Chegar lá é só mais um tiro no escuro, por vezes chega a ser um tiro no próprio pé.

(Coisas da vida. Às vezes é assim. Às vezes tem que ser assim. E o karma não dorme).

Desistir foi o maior erro que alguma vez cometeu. Desistir de pecar, de arriscar, de experimentar o que nunca sonhara viver. E arrepende-se. Pode até nem confessar mas arrepende-se todos os dias de ter desistido, de ter fugido, de não se ter movido na direcção certa.

(De não se ter movido em direcção alguma. Tudo ficou estático, estagnado. Até as palavras, até elas perderam força, vigor, presença).

"Nada é errado se te faz feliz!", ouviu uma vez numa conversa de café.

(Ouviu e nunca mais esqueceu. Ouve essa mesma frase sempre que se lembra do que não viveu, sempre que se volta a arrepender, sempre que pensa que as coisas poderiam ter sido diferentes).

Talvez seja este o momento, talvez seja esta a hora certa para ser feliz. E a sua vontade é essa, sempre foi. E naquele dia percebeu que podia ser. Hoje arrepende-se e tem saudades. Nunca é tarde para recuperar o tempo perdido...

(O tempo só é importante quando a intensidade não se faz notar).

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Palavras

Que força têm as palavras?
Única e simplesmente a força que pomos nelas, acrescidas ao poder e à soberania que já lhes estão adjacentes. As palavras são bem mais de oito letras, bem mais do que um conjunto de três sílabas tristemente perdidas. Estão além de uma significância no dicionário, de um nome, de um dito comum do dia-a-dia, bruscamente pronunciado por todos, inocentes testemunhas do seu verdadeiro valor.
As palavras são sentimentos profundos, percepções cuidadosas. As palavras são o espelho da alma, são a alma. Pura e dura. Transparente.
As palavras são mais do que acções, mais do que promessas, mais do que garantias. Palavras são palavras e só isso já faz delas senhoras dos seus próprios narizes. Palavras são o peso da responsabilidade.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Estações

Em dias chuvosos, escuros e tristes a vontade estagna. Por vezes reduz e chega mesmo a dispersar-se. O frio e os vendavais fazem parte do quotidiano e a luz é apenas passageira. Não são raros os momentos em que miramos o que não vemos, procuramos respostas em questões vazias e tentamos alcançar o que é alheio ao toque.
Apanhamos boleia num qualquer veículo sem rodas e fazemos uma viagem só de ida, ao encontro dos sonhos, dos desejos e dos segredos escondidos por detrás de temperaturas geladas e de ventos que até a alma despenteiam.
Permanecemos longe, por tempos indeterminados, indetermináveis, jamais queridos ou procurados. Apenas encontrados, perdidos em ilusões e incertezas, em vontades injustas e pecadoras.
É nas gotas grossas da chuva que tudo molha, dentro das camisolas de lã e das botas de pêlo, nas viagens perigosas e nos ventos fortes, que os pensamentos se deixam levar sem destino ou direcção.
Em dias chuvosos, escuros e tristes a mente vagueia, frágil, rumo a outra estação, rumo à luz que garanta e decida, rumo aos batimentos certeiros e aos suspiros sinceros.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Tempos

Todas as noites ele se sentava no mesmo banco. E sempre por volta da mesma hora. Talvez esperasse por alguém.
Todos as noites, aquele banco de madeira voltado para o mar revolto da Foz iluminava-se. Com ele, trazia a paixão, a esperança, a timidez e uma vida inteira para lhe dar. A ela, à mulher que um dia viu passar naquela mesma rua, àquela mesma hora, coberta por uma camisola de lã e de cabelo preso em cima da cabeça.
Chovia nesse dia. Chovia muito. Ele trazia um guarda-chuva azul e tinha o nervosismo estampado na cara. Talvez já esperasse por ela. Talvez devesse continuar.
Abrigado, debaixo do seu guarda-chuva azul, sentado naquele banco de madeira, ele esperou por ela. Esperou meses, sempre de olhar cansado e pensamento longínquo mas nunca lhe custou. Sentia que o devia fazer. Não percebia porquê mas também não precisava.
Sabia que ia esperar por ela. Só não sabia como a ia encontrar.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Estranhezas

Ele não sabe como lidar com a força dela, não sabe como se sentir, como a sentir. Continuam a soar-lhe mal os estranhos pensamentos que lhe assaltam a mente, continuam a causar-lhe estranheza os gemidos desconhecidos que ouve quando ela aplica raiva e impaciência nas palavras. Sabe que é parte dela, algo genuíno, intrínseco, mas não consegue acompanhar, é demasiado novo, demasiado desconhecido. Não percebe o porquê, não entende o que a leva a isso. É incapaz de acompanhar os pensamentos da mulher que ama e recusa-os com tanta firmeza como a que ela impõe quando por eles vagueia.
Ao olhar para ela, ele vê a representação humana da perfeição, muitas vezes abalada por culpa de todos estes monstros que lhe assaltam a mente.  É ela quem esbate a perfeição que ele vê. A culpa é dela.
E ele continua ali. Ainda que não a compreenda, que não a saiba acompanhar, que não se consiga identificar. Continua ali porque ela é perfeita. Perfeita aos olhos dele, perfeita para ele. É um sonho realizado, ainda que às vezes a preto e branco.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sobras

Entre pretos e cinzentos, castanhos e brancos pálidos, ainda há uma réstia de verde esperança nos olhos dos que passam, embalados por um vento que vem de sul. Um verde mofino, baço, gasto pela tristeza e pelo desânimo, pelas dificuldades que o impedem de brilhar como em outrora.
Já não transpira vivacidade e sonhos. Antes conformismo. Hoje, vejo sombras do que um dia foi certo. Não passam de miragens num quadro que ficou por pintar. Nada mais são que resquícios de certezas abaladas pela dor do tempo.
Porque tudo muda e as certezas são meramente irreais, apenas passageiras numa vida que nunca acaba.

domingo, 23 de setembro de 2012

Singularidades

Singular. Nada mais é do que isso. Singular.
Impossível de comparar a tantas outras experiências por que já passei, impossível de prever, talvez até impossível de dominar.
Singularidades que se mostram mais fortes que a minha própria força, aquela que eu achava que tinha, aquela que sei que tenho mas que, agora, faz questão de se esconder. 
Talvez por saber tão bem, por ser tão bom e parecer estranhamente certo.
E sei... aconteça o que acontecer, vai sempre ser assim: singular, inexplicável, inacreditável. Eu sei disso. E não sou a única.
Meras (e tão certas) singularidades.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Estou de volta

Sim, eu sei. Desculpa.
Sei que tenho andado desaparecida e que tens saudades minhas, de me ler e de coleccionar as minhas palavras. Sei que às vezes fujo sem motivo e regresso quando menos esperas, mas tenho a certeza que quando volto, tu estás aí de braços abertos para mim, com vontade de percorrer cada linha dos meus textos e absorver cada sentimento que te transmito. Nem eu te consigo explicar porquê mas às vezes tenho necessidade de desligar, nem que seja para regressar em força, com a caneta em punho, preparada para te apaixonar a mais um parágrafo.
Sim, eu sei. Desculpa.
Não te prometo que não volte a acontecer. Não faço promessas em vão. Mas podes contar comigo mais perto, mais presente. Isso podes.
Estou de volta.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Palavras, cigarros e cafés

Ela conheceu-a por acaso, porque o destino a juntou a alguém que lhes era comum. Conheceu-a sem nunca esperar nada, sem nunca esperar mais do que era previsível. Com o tempo, o destino afastou-a desse alguém que lhes era comum e aproximou-as de uma forma que é difícil descrever, que nem as palavras, amantes de ambas, conseguem definir com toda a exactidão. O destino aproximou-as, a empatia aproximou-as, as palavras aproximaram-nas. São tão iguais que era quase impossível não ficarem assim, amigas. Hoje, para Ela, a mais pequena, aprendiz, Ela é mais do que uma amiga, mais do que uma parceira, mais do que uma companheira de escrita, de percursos e de vida. É uma inspiração, no verdadeiro e lato sentido da palavra. Uma inspiração no seu todo, com todas as letras, com toda a admiração e com todo o respeito. É um exemplo, um protótipo, um espelho do que Ela, pequena, sonha um dia ser. Dá-lhe segurança, dá-lhe coragem, dá-lhe páginas de romances e conselhos de vida. Acima de tudo, dá-lhe palavras. E é com as palavras que Elas se entendem. É nas palavras que elas se entendem. Afinal, é de palavras que vivem e são essas que as fazem suspirar.

domingo, 24 de junho de 2012

Ele e Ela

Acordou com o coração apertado, sentia falta de uma presença, de um corpo. Sentia a falta da presença Dele, do corpo Dele. Estava consciente de que a sua presença e o seu corpo eram impossíveis de prender, pelo menos naquele momento, naquele dia. Contentava-se em saber que Ele estava bem, feliz, mesmo estando longe. No entanto, não deixava de sonhar com o dia do seu regresso. Com Ele viria a presença, viria o corpo. Com Ele, viriam momentos mais-que-perfeitos, rabiscados a pincel, realçando o que de mais bonito há. Com Ele, viria a parte Dela que falta. Viriam noites na praia a namorar a lua e as estrelas, viriam horas e horas de boas conversas, beijos quentes e amor e paixão que não têm fim. Com Ele, Ela voltaria a perder a noção do tempo. Com Ela, Ele continuaria sem noção de nada.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Balança

Ele falava-lhe ao ouvido, cuidadosamente, como se tivesse medo que as suas palavras pudessem ser mal interpretadas. Recitava cada sílaba, parava por segundos em cada vírgula e respirava fundo a cada ponto final. 

Ela, estranha, impossível de alcançar, ouvia. Desprezava-o mas não deixava de prestar atenção. Fazia-o, à sua maneira.

Ele insistia, pensava em cada frase, desenhava cada adjectivo como se fosse vital.

"- Não prestas atenção ao que te digo?"

"- Eu estou a ouvir tudo", retorquiu.

"- Não pareces minimamente interessada."

E Ele não percebia porquê.

"- Sabes, nós pomos nas palavras o peso exacto que elas têm e as tuas, pesam bem mais do que o que deviam."

terça-feira, 19 de junho de 2012

Limites

Antecipo-me. Ando à frente do meu pensamento e da minha própria vontade. Sinto que nada me acompanha, que nada caminha à velocidade alucinada dos meus passos e do meu coração. Sei que, indiferente ao resto do mundo, longe dos olhares reprovadores e dos silêncios que magoam, vou continuar acelerada, ao ritmo da determinação que me faz querer ser mais e melhor. Sempre. Acredito que a força e a coragem caminham de braços dados, qual casal que partilha amor e desavenças há tanto tempo que nem o tempo consegue contar.
Acelerada, ao meu ritmo, à minha velocidade, desenho cada palavra que pronuncio, cada olhar que denuncio, cada beijo que, com vontade, retribuo a quem me ama.
Acelerada, à frente de mim própria, a um ritmo alucinante, assim sou. E assim hei-de ser, até ao dia em que precisar de reduzir para segunda para poder acelerar novamente. Hei-de ser assim até ao ponteiro voltar a atingir o limite. O meu limite.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ela

Há coisas que não são feitas para se perceberem, que não são vividas para serem explicadas. São como são e ponto final. E se forem boas, há que as aproveitar sem grandes dramas e sem grandes dúvidas. Ele esperava por Ela há muito tempo. Por Ela, mulher que cuidadosamente desenhou, traçando todas as curvas, todos os pormenores. Esperava que Ela, um dia, lhe batesse à porta mas já não tinha grandes esperanças. Num repente, quase sem se aperceber, Ela estava rendida aos seus encantos, ajoelhada aos seus pés.
Sonho? Talvez. E cada um é do tamanho dos sonhos que tem.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

M.

Altiva, segura e desconfiada. É ela sem tirar nem pôr. Encoberta por um longo vestido preto, de pés no chão e pernas que não acabam, M. desfila pelas ruas da cidade que a viu nascer, sem que nada a preocupe, sem que nada a faça tremer, sem que nada a faça parar.

Repara-se nela ao longe. A forma como coloca os pés, a velocidade a que caminha, a ingenuidade com que fuma o primeiro cigarro do dia. M. é M. sem tirar nem pôr: natural, autêntica e singela.


Adorna um sorriso que a nada se compara: fácil, espontâneo e feliz. M. transpira felicidade, transpira verdade, transpira legitimidade. M. de olhar intenso e nariz empinado, M. de cabelo esvoaçante com vida própria, M. de tiques picantes.


M. arrrepia-se sem esforço, ri sem regras e namora o sol e a lua como se fosse sempre a primeira vez. É M. de alma e coração, é M. por dentro e por fora. É amor e luta incessante. É manga com trunfos. 
É M. de Mudança e M. de Mulher. M. de Movimento, M. de magia.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Suspiro

(Suspiro). Belisco-me vezes e vezes sem conta. Confirma-se, é real. Mas ainda nem sequer soa na perfeição ao ouvido. Impõe respeito e algum cuidado no manuseamento. Ainda é frágil e pouco trabalhado, por muito irónico que pareça. Fez-se notar mais cedo do que alguma vez esperei. No entanto, não deixa de ser a confirmação de uma certeza que sempre tive. (Suspiro outra vez).

Sempre soube. Mais tarde ou mais cedo, hoje ou amanhã, aqui ou do outro lado do mundo. Sempre soube. Somos o que queremos ser e eu, sou mulher de papel e caneta. Agora que o sonho se tornou real é hora de respirar fundo (e suspirar uma vez mais). É hora de pousar os pés no chão e acreditar que a realidade é aquela com que sempre sonhei.

Venci batalhas, engoli sapos e resolvi o que chegou a parecer irremediável. Vivi um ano intensamente, sem nunca desistir, sem nunca baixar os braços. Dia após dia, noite após noite, dei ao jornalismo mais do que alguma vez dei a alguém. Ouvi bons conselhos, fiz muitos amigos e ganhei a experiência que me faz estar onde estou hoje.

Testemunhei promessas de sonhos por cumprir. Hoje, sou a personagem principal de um sonho que se cumpre, a personificação do bom que é fazer o que realmente se ama. A que é que sabe? Sabe a recompensa, a reconhecimento, a guerra vencida e a muitas bocas caladas.

No fundo, sabe a sonho realizado. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Magia

Que garra é essa que, mesmo sem notares, transmites a cada passo que dás? Que força é essa  que, a todos os segundos, hipnotiza os que te rodeiam? És transparente. És o que és sem máscaras, sem meias palavras e sem rodeios. És o que trabalhas para ser. És reconhecido pelo valor que tens e por essa garra e essa força. E já dizia Pessoa, "põe quanto és no mínimo que fazes". Essa pessoa és tu. Tens os sonhos e a ambição cravados naquilo que és. Tens a certeza do teu valor e orgulho no teu trabalho. E tens o mais importante: a paixão. "E é de gente com paixão que precisamos".

És dos meus.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Para toda a vida

Este texto, nada mais é do que uma sincera homenagem. Nada mais é do que uma prova do enorme respeito e admiração que nutro por elas. Elas que, de uma maneira ou de outra, longe ou perto, sempre estiveram ao meu lado. Podem passar meses, anos, pode passar uma vida inteira que as pessoas importantes ficam sempre, seja de que maneira for. E vocês, minhas amigas, vão ficar sempre.
Umas mais antigas, outras de agora. Mas todas, para sempre. Devo-vos grande parte do que sou hoje. Devo tudo aos vossos ensinamentos, às vossas experiências e às palavras que me repetiram aos ouvidos, vezes e vezes sem conta.
Mais do que cumplicidade, são memórias, confissões e promessas.  São histórias de vida para lembrar sempre e para partilhar, um dia mais tarde. São relações de ferro, inabaláveis. Resistentes ao tempo e à distância.

É amor. E tenho o maior orgulho do mundo em cada uma de vocês.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Contracurvas

Os olhos dele mudaram. Ela esperava ter visto mais amor mas só viu desencanto. Talvez tenha perdido a curiosidade, talvez o mistério tenha sido decifrado, num ápice, quase sem que ela desse conta.

Bastou uma conversa.

Ele mudou. Voltou a entusiasmar-se, a render-se e a permitir que ela o conhecesse. Libertou-se, pelo menos por uns tempos. A vontade dela foi a chave para que tudo voltasse a ser como dantes. E ela sempre o avisou, sempre lhe disse:

" - Vou lutar por ti todos os dias, mesmo que seja difícil, mesmo que te sinta longe. Vou lutar por ti todos os dias até deixares de querer".

E assim o fez. E continua a fazê-lo. Todos os dias. Anseia pelo olhar que não desiste, pelo desejo que não morre e pelo sorriso ao acordar. Quer aprender a desvendá-lo. Quer aproveitar todos os segundos de cada minuto.

" - Só quero que sejas comigo o que sou contigo: o melhor que posso", concluiu, sem rodeios.

Ele calou-se e abraçou-a, com medo de a perder.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Cais

Acordou e abriu a janela. A chuva deu-lhe os bons dias, como há muito já não fazia. Sentiu o cheiro a terra molhada e lembrou-se do cais onde, um dia, o viu partir. Cais de encontros e desencontros, de amores e desamores. Cais onde, um dia, espera vê-lo regressar.

Lembra-se de quando passeavam pelas montanhas, onde tanto gostavam de estar. O cheiro a pinheiro bravo provocava arrepios continuados e o silêncio era de tal forma ensurdecedor que nem as palavras faziam sentido.

E foi sem falar que ele partiu, no dia em que embarcou e desapareceu naquele cais. Até hoje. Ela ainda o espera e o cheiro a terra molhada permanece vivo, como se nada tivesse mudado.

Se ele regressar, talvez desbravem montes e vales como antigamente. Talvez voltem a sentir o cheiro daquele pinheiro bravo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Alma

Lembro-me de estar deitada ao teu colo, rendida à natureza que me beijava os pés. A tua mão teimosa viajava pelas minhas costas e o meu respirar ecoava no teu. Suspirávamos em coro. Decifrava-me no reflexo salgado dos teus olhos enquanto me brindavas com murmúrios de uma melodia hipnotizante.

Já não te ouço há algum tempo.

Rendida, deixava-me levar pela insistência da tua música e pela vontade com que lhe davas alma.

Já não te ouço há algum tempo.

Volta a embalar-me com o teu blues. Eu rendo-me.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Espelho

Um dia sou água. Noutro, fogo. Sou versátil. Incoerente, talvez. Confundo-me e confundo-te. Sou felicidade e melancolia num misto de sentimentos e razões. Sou terra e mar, quente e frio, doce e amargo. Sou o espelho do que aprendi e de tudo o que ensinei. Sou perto e longe, sou sorte e azar. Sou certo e errado, sempre. Criança e mulher, alma e coração. Sou promessa e paz, dúvida e guerra. Sou o sorriso que me define e a garra que tão bem conheces. Sou números e letras e sou letras outra vez. Sou mutante e não me faltam certezas. Sou o oposto de mim mesma, com tudo a que tenho direito.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Aromas

Acordo sem que nada me doa, sem que as pernas acusem cansaço e a cabeça, exaustão. Desperto quando o sol me beija e aqueço as mãos com as páginas de um jornal. Sinto um travo doce que me carimba a alma para o resto do dia e inalo-o, para que não se perca entre a acidez das palavras que ouço e a amargura das que não consigo ouvir. Sem espaço para fugas, prendo-me ao que me faz mover. Elevo-me à sua importância e asfixio-o, para que não se desfaça em memórias. E volto a inspirar. E a respirar-te bem fundo. Este travo doce que me escolta lembra-me de ti e de quando tudo era diferente.

terça-feira, 6 de março de 2012

Sinto

Entramos num mundo que já não nos lembrávamos de conhecer. Nem queriamos. Entramos, juntamos gestos e palavras, unimos a cumplicidade ao respeito. E entramos. Agora, o acordar sabe melhor e o deitar já não é incerto. Os pés estão bem pousados no chão e o coração, cá dentro, está mais seguro. O sorriso faz-se ver a cada momento e o sol põe-se sempre naquele mar. As certezas caminham ao meu lado, de mãos dadas, firmes. A entrega é de corpo e alma. Eu mostro e tu não esqueces. Tu mostras e eu, longe estou de me esquecer. Não te sentes mais próximo agora? Eu sinto. Que seja sempre assim. Que tudo continue a fazer sentido.

O inteiro das metades

Hoje o silêncio é a palavra de ordem. Hoje, à meia luz, paira no ar uma melodia que percorre todos os recantos deste abrigo. Perdida nos meus pensamentos e nas folhas de tantos livros, descontrolada com o batimento do meu coração e com as dúvidas que me assaltam o pensamento, vou escrevendo histórias. E vou procurando respostas.
Acto de cobardia ou sinal de grande coragem? Não sei. Vou lançar pedras no caminho, do alto da minha melancolia. Talvez descubra. Se assim for, que o faça sozinha, sem que me ampares a queda. Eu chego lá. Mais cedo do que penso e mais tarde do que imaginas. Preciso de respostas e de trilhos para percorrer. Quero a vida por inteiro. 

"Antes de quereres a vida por inteiro, preocupa-te em conservar o que tens pela metade", dirias-me tu se aqui estivesses.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mais perto

Gosto de falar contigo, de pensar em ti e de te ter por perto.
Gosto do teu sorriso, das tuas botas e dessa tua voz.
Gosto de te conhecer e de conhecer tudo o que me mostras.
Gosto que me abraces e que me leves além montanhas.
Gosto de te ouvir e de aprender com as tuas palavras.
Lembro-me de ti sempre que acordo e todas as noites, antes de ir dormir.
Lembro-me de ti durante todo o dia.
E sempre que me lembro, só queria ter-te por perto.
Gosto mesmo de ti.
E da tua voz. E ela é bem mais bonita quando a tenho por perto.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Somos amor

Sabes a sorte que tens? E tu, sabes a sorte que tens? Vocês são pessoas de sorte, com sorte. E foram a sorte e o amor que ajudaram a construir a vossa história. A compreensão e a cumplicidade são, ainda hoje, os pilares que seguram a casa que vos acolhe. E nós, fruto dessa sorte e desse amor, dessa compreensão e dessa cumplicidade, agradecemos tudo, todos os dias.

Podem não ser o amor da vida um do outro (ou se calhar até são) mas são, de certeza, a mulher e o homem da vida um do outro. Sim, porque é diferente ser o amor da vida de alguém ou a mulher e o homem da vida de alguém. O amor da vida é único, é aquele amor que só se vive uma vez, que só se sente uma vez mas que, com a força do tempo e a revelia das emoções, se pode perder e desvanecer em memórias.

Ser a mulher ou o homem da vida de alguém é muito mais do que isso: é ser companheiro, é estar ao lado, é partilhar, é dar e receber, é construir e criar. Ser a mulher ou o homem da vida de alguém é plantar, ver crescer e colher os frutos, é caminhar na mesma direcção e sobreviver à força do tempo e à revelia das emoções, sem que nada se perca e se desvaneça em memórias.
É olhar para o lado e ter a certeza de ter tomado a decisão correcta. É adormecer, mesmo que por vezes, de costas voltadas, com a garantia de ter deixado no mundo o fruto que colheram juntos. Nós somos o resultado desse amor e desse caminho percorrido de mãos dadas, há quase 25 anos. E sabemos que, tal como vocês, também somos pessoas de sorte, com sorte.

Nós os quatro...

Somos um exemplo vivo do que é estar lado a lado.
Somos a definição de família no seu estado mais puro.
Somos a tradução literal de amor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Quem gosta, mostra todos os dias

Se calhar sou só eu mas, para mim, hoje é só terça-feira. E não, não é por não ter namorado. Não é inveja. É mesmo por achar que, quem gosta, não precisa de datas marcadas para fazer o sentimento valer, não precisa de um dia no ano para mostrar seja lá o que for de forma diferente. Quem gosta, gosta todos os dias. E hoje, é só mais um. Amanhã, será apenas um dia normal, igual a todos os outros. As músicas românticas e os corações já não vão encher os murais do Facebook e os desenhos amorosos do Google vão desaparecer. E por isso, vai-se gostar menos? Vai-se mostrar menos? Vai deixar de fazer sentido jantar fora com quem se gosta? Amanhã já não vai ser dia para desfrutar de uma boa sobremesa? Que haja corações e beijinhos todos os dias. E que o amor se mostre todos os dias.
Quem gosta, gosta sempre, todos os dias. Quem quer jantar fora, não precisa de juntar os trocos para a noite de hoje. Quem quer dar presentes, dá em qualquer altura do ano. E quem gosta, gosta quer seja terça, sábado ou segunda-feira de manhã. E mostra em qualquer altura do ano, faça sol ou faça chuva.

Eu gosto. Hoje, mais do que ontem. Amanhã, mais do que hoje.
Talvez no sábado vá jantar fora. Ou no domingo. Hoje não. Porque hoje vai toda a gente. E nós não somos toda a gente.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Regressos

Gosto sempre quando volto. Quando atravesso a ponte e consigo ver o Palácio, quando regresso a casa e me posso deitar na minha cama, quando o frigorífico é o meu frigorífico e quando um abraço significa mais que mil.
E gosto de voltar para ti, voltar a ti. Gosto que regresses ao mundo quando eu regresso. Que te endireites, que te encaminhes, que te fortifiques. Estou perto outra vez, continuo por cá e faço por cumprir o meu papel todos os dias.
E como eu sei que gostas que regresse a ti, e como eu própria gosto de regressar a ti, conta comigo. 

Vou gostar de voltar. Estou quase aí para cuidar de ti.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Até ontem

Com calma, tudo volta ao lugar de partida.
Com cuidado, os caminhos são percorridos sem percalços.
E eu, impulsiva, nem sempre me consigo seguir por estas premissas.
Com calma, tudo volta ao lugar de partida.
Com cuidado, os caminhos são percorridos sem percalços.
E tu, ponderado, nem sempre te consegues seguir por estas premissas.

Eu, precipitada.
Tu, precipitado.
Nós, até ontem, sem calma e sem cuidado.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Nesta rua sem saída

Acho que entrei numa rua sem saída. Ao tentar voltar para trás, o sinal de stop impõe-se e não há como o contornar. Olho à minha volta e vejo espaços vazios. O que eu vejo são só espaços vazios, à espera de serem preenchidos. E o problema não é sair daqui. O problema foi ter entrado demasiado rápido. Não pensei. Fui dez para cinco. Agora, e já desesperada, procuro atalhos, caminhos estreitos por onde possa escapar. Nada. Tudo à minha volta parece ficção, cena de filme.
Os dias passam e continuo presa nesta rua sem saída. As horas correm e permaneço aqui, sem encontrar trilhos que me ajudem a fugir. Agora, parece que o tempo anda mais devagar que os ponteiros do relógio.
E tu, onde estás? Onde te escondes quando mais preciso de ti? Tira-me deste beco sem saída. Ou então vem, e faz-te prisioneiro comigo. Seja o que for, seja como for, o importante é que venhas. Não deixes passar mais tempo. Olha que os ponteiros do relógio andam à velocidade que querem. Prende-me em ti e liberta-me aqui.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A todos os jovens

Esta geração continua a dar que falar. Abre os noticiários e faz manchete nos principais jornais. Todos os dias, milhares de jovens como eu vêem as oportunidades de trabalho cada vez mais longe e, muitos deles, desistem e perdem as forças a meio do caminho. O futuro corre para longe a uma velocidade que nem todos conseguem acompanhar. Afinal, de que vale ter o canudo e o currículo preenchido de estágios? Os empregadores pedem experiência. Nós, pedimos que a dêem. Quando o quadro é este, a moldura não é, de todo, bonita.
E não falo só por mim nem pelos da minha área. Falo por todos os jovens: pelos jovens advogados, pelos jovens arquitectos, pelos jovens engenheiros, enfermeiros e designers... Falo em nome de todos os que estão na mesma posição que eu. Vá, denunciem-se.
É assim tão complicado "arrumar a casa" e comprar móveis novos para compor a mobília? Se é, deixem-se de histórias da Carochinha e desistam das falinhas mansas. Se é, deixem de afirmar e de nos fazer acreditar que somos, realmente, a geração do futuro. Por outro lado, se ainda acreditam nisso, provem-nos e dêem-nos as oportunidades. Não pedimos mais que isso. Só o seremos se nos deixarem.
Esta geração continua a dar que falar. Eu, apesar das portas fechadas, continuo o meu percurso a fazer o que de melhor sei e a combater injustiças, inoportunidades e vicissitudes. Como eu, há muitos que lutam incessantemente e não pretendem parar. "Só descanso quando chegar onde quero", dizia-me um amigo, em conversa. E eu assino por baixo. Só paro de sonhar quando o sonho se tornar real. Até lá, hei-de bater a muitas portas e hei-de bater com a cabeça em muitas portas. Provavelmente, vou chorar muitas vezes. Sei que vou mandar o jornalismo à merda, deitar as mãos à cabeça e perguntar-me o porquê de ter escolhido esta profissão.  Simples: porque a amo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Atrás da cortina

Deixaste-me sem reacção. Não esperava "ver-te" assim. Não esperava ouvir-te assim. E longe, não posso fazer muito mais além de te consolar com a minha voz. Mas sou-te sincera: às vezes acho que só pioro. As intenções são as melhores. Disso, não tenhas dúvidas. Mas a preocupação deixa-me um bocado louca e faz de mim um poço de trapalhada. À parte disto, só te posso dizer que tens em mim uma amiga, acima de tudo o resto que possa ser. Uma amiga para todos os momentos, para os bons e para os maus, como este, de hoje. De mim, espera sempre uma palavra de ânimo, um abraço daqueles que tão bem conheces e meia dúzia de palermices, numa tentativa de te arrancar um sorriso, por muito forçado que seja.
Espero que fiques bem e que consigas mostrar aos outros e a ti próprio, aquilo que verdadeiramente és. Espero, sinceramente, que consigas encarar o mundo e encarar-te a ti, com a força e a garra que todos os que estão contigo, sabem que tens. Como já te disse muitas e muitas vezes, és bem mais do que mostras e tens bem mais para dar do que aquilo que vais oferecendo. "Aquilo que define um homem, normalmente, não está à vista", diziam hoje, num filme que vi. Concordo inteiramente. A ti, o que te define, não salta à vista no primeiro instante, mas vai sendo descortinado a pouco e pouco. Continua atrás da cortina e encena a tua vida às escuras, se assim o quiseres. Mas abre essa cortina para ti, para que possas ver, com os teus olhos, aquilo que realmente és. Se precisares de mim, sabes onde me encontrar. E não te esqueças... És grande.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Nunca esperei nada de ti

Nunca esperei nada de ti. Nunca quis esperar nada de ti. Orgulho-me disso. Foi uma das atitudes mais ponderadas e conscientes que me lembro de tomar na vida. Joguei na defensiva e preferi não arriscar. Nestes casos, dispenso surpresas. Nunca esperei nada de ti porque adoro o quentinho da minha zona de conforto. E a tua assusta-me. Nunca esperei nada de ti porque as rédeas eram minhas e era incapaz de tas entregar, assim, de mão beijada. Nunca esperei nada de ti porque, depois de mim, eras o primeiro a não o querer. Sempre mo disseste. Sabias que podia meter-me numa alhada difícil de sair. Tu próprio podias não conseguir livrar-te dela. Ambos sabemos.
Nunca esperei nada de ti até ao dia em que me disseste meia dúzia de verdades. Nunca esperei nada de ti até ao dia em que me vi entre a espada e a parede. Nunca esperei nada de ti e, de um momento para o outro, espero mais do que algum dia quis.
A culpa é tua. Faças o que fizeres, não esperes nada de mim.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Inspiração

O pior é que a inspiração não vem quando a chamamos. Não avisa. Se a quero, bem que posso gritar aos sete ventos e pedir-lhe encarecidamente que entre na minha cabeça e me ajude. É sempre em vão. Só aparece quando não preciso dela, quando não estou a contar e quando menos jeito dá. Gosta sempre de aparecer quando estou no trânsito e não posso pegar no papel e na caneta para escrever. Algumas vezes, também dá sinais de si quando estou na cama, já quase a adormecer, e tenho preguiça de me levantar para escrever. E depois foge. Isso é que é ingrato. Agora que preciso dela, nada. Ando aqui com a cabeça às voltas e ela nem suspira. E tu sempre foste assim. Sempre que precisava de ti, nada, nem "ai" nem "ui". Quando não dava jeitinho nenhum que aparecesses, lá estavas tu para dar o ar da tua graça. E com isto, a minha inspiração continua longe. Nem a vejo. Quero-a e não sei para onde fugiu. Se és tu que a tens, faz-me um favor e devolve-ma. Amigo não empata amigo. Sempre ouvi dizer.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Joana

Passaram anos. Já perdi a conta aos anos que passaram. E continuas a representar o mesmo que representaste ao longo de todo este tempo, ao longo de quase duas décadas. Hoje, conto pelos dedos de uma mão aqueles a quem posso chamar amigos, aqueles a quem confio tudo, aqueles que sobreviveram à erosão do tempo e aos caminhos cruzados. Digo-te mais... Não preciso de uma mão. Tu, sortuda, és a que vai ocupar sempre o mesmo lugar. Aconteça o que acontecer. Podes gabar-te disso. Tu, minha amiga, és a personificação da verdadeira amizade, da amizade sem merdas: pura, firme e sem esquemas. Caminhas ao meu lado desde o dia em que te conheci naquele "paraíso". Dezasseis anos depois, continuas ao meu lado, dia após dia, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, como nos casamentos. E isto é quase um casamento. Um casamento de amigas. À antiga. Sem divórcios, sem chatices. És o meu avesso, a minha sombra, a minha bússola de confiança quando me perco.
Já com a lagriminha no canto do olho, lembro-me das noites a ler diários antigos e a chorar de tanto rir, das gargalhadas que quase nos tiram o ar, dos abraços fortes em momentos wannabe trágicos, dos abraços fortes em momentos verdadeiramente maus, das invenções culinárias dignas de chefs de topo, das cervejas a mais e dos efeitos secundários, das fotografias de mil e um momentos, das horas de conversa... Lembras-te? Há coisas que não mudam. Nem hoje nem nunca.
Tu, Joana, és a personificação da verdadeira amizade, da amizade sem merdas: pura, firme e sem esquemas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sempre

Sempre que tento falar, os teus olhos de lince atropelam-me
Sempre que me sinto perdida, as tuas mãos leais acalmam-me
Sempre que tenho dúvidas, as tuas palavras sábias mostram-me o caminho
Sempre que estou feliz, o teu sorriso arisco deixa-me ainda mais
Sempre que tenho frio, o teu abraço firme aquece-me
Sempre que quero conhecer, tu estás lá para me mostrar
Sempre que te quero, tu estás aqui
Sempre que preciso de ti, tu estás aqui
Sempre que sinto a tua falta, tu estás aqui
E mesmo que não estejas, estás.
Sempre.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cenário perfeito para ser feliz

Aquele frio de cortar a respiração foi o cenário perfeito para ser feliz. Estava fria de alto a baixo, mas com o coração mais quente que nunca. Foi bom. Foi muito bom. Montanha acima, montanha abaixo, por entre ruas e estradas sinuosas, aquele frio de cortar a respiração foi o cenário perfeito para ser feliz. Fui ingrata, admito. Sou eu e a minha falta de tacto. Pode ser que um dia a inspiração me chegue às palavras e me leve às acções. Até lá, que tudo fique invisível aos teus olhos... Aquele frio de cortar a respiração foi o cenário perfeito para ser feliz. Será que também percebeste isso?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Lá no alto

As estrelas dizem-me tanto. Parece que as ouço contarem-me segredos ao ouvido. Sinto um aconchego, um aquecer de alma, como se por elas fosse devorada. Olho para as estrelas e vejo-me reflectida nelas, como sombra num lago azul columbia. Consigo ver o que sou e o que sonho ser. Longe vai o que um dia já fui. Qual ponto no céu, elas acalmam-me e conduzem-me até onde, sozinha, não consigo ir. Senhoras de si e Che Guevaras nesta luta, guiam-me até aos meus desejos mais recônditos. Infiltram-se no meu pensamento e cravam-se no meu coração. Arrepiam-me de alto a baixo, percorrem-me cada recanto do corpo e levam-me para onde só tu me consegues levar, lá no alto. E em noites frias como a de hoje, depois de um dia ao teu lado, sinto-me realmente eu. E sinto-me realmente tua, como se ao teu corpo e ao teu espírito sempre tivesse pertencido. Deitada no teu colo, docemente embalada pelo som da tua voz e pautada pela assertividade e coerência de cada palavra que pronuncias, apercebo-me que elas são a companhia perfeita quando viajo pelo meu âmago de mãos dadas com o teu.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Doce

Passou pouco tempo. Muito pouco tempo. Mas já és muito, sabes? Desde o primeiro momento que me tentas dar a volta e eu gosto desse teu lado. Gosto desse mistério, dessa sombra. E também gosto da outra face: mais solta, mais companheira, mais lado a lado. Desde o primeiro momento que me tentas dar a volta. E desde o primeiro momento que me tiraste a pinta toda, lá do alto do teu misticismo e desses olhos. Eu, confesso, acertei ao lado. Pintei-te o oposto daquilo que és. Passou pouco tempo. Muito pouco tempo mas mexes comigo. Mexes com a minha vontade, com a minha personalidade. Desejo-te, fazes-me perder a cabeça, entusiasmas-me e apaixonas-me, atrais-me. Tens um cheiro que é só teu e uma sabedoria que gostas de partilhar. E és sexy. Já te disse que a tua voz é sexy? Tocas-me bem e agarras-me ainda melhor. És enigmático. Tens um mistério que me seduz a cada dia. E tens uma sabedoria que me prende. Desarmas-me com o que sabes e com as coisas que conheces. Que bom aprender contigo.... Gosto de ti.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Cansei-me

Cansei-me de acreditar em quem promete e não cumpre
De esperar por quem diz vir e nunca vem
Cansei-me de gostar do mesmo que os outros
De ver os mesmos filmes
De ouvir as mesmas músicas
Cansei-me de ser inútil
Cansei-me do preto
E do branco
Cansei-me dos meios-termos
Cansei-me de ser prática
Comodista
Cansei-me de ceder
Cansei-me de compromissos
De memórias inabaláveis
Cansei-me da desarrumação
Das faltas de respeito
Dos "mal agradecidos"
Cansei-me dos invejosos
E dos oportunistas
Cansei-me de ter vergonha
De me controlar
De ser "politicamente correcta"
De respeitar tudo e todos
Cansei-me de discussões
De momentos de desespero
Cansei-me de meias palavras
E de palavras em vão
Cansei-me de ter medo
Cansei-me da ponderação
Da sensatez
Cansei-me dos "ses", dos "quases" e dos "talvez"
Cansei-me de não alargar horizontes
De não me ultrapassar
Cansei-me de tentar ser aquilo que não sou
Cansei-me de ser
Cansei-me de parecer
Cansei-me do cansaço e afastei-o…

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Aqui

Que lugar é este?
Perdida nos meus pensamentos, olho à minha volta e respiro fundo. Volto a fazê-lo. Vezes sem conta. E sinto-me em casa. Sinto-me tão em casa.
Que lugar é este?
Sinto que já foi nosso. Respiro-te. Ouço-te. Mas continuo sem saber onde estou. O meu coração ainda conhece este lugar.
Que lugar é este?
"É o lugar onde já fomos felizes. Não te vais esquecer dele, pois não?", perguntaste-me enquanto as lágrimas te molhavam os lábios…

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Avó

Penso sempre nela.
Todos os dias penso nela.
E tenho saudades.

Faz-me falta e há-de sempre ser assim.

As lágrimas cobrem a minha pele cansada.
E penso nela.
Todos os dias penso nela.
E tenho saudades.

Ainda a sinto comigo.
Ainda a tenho comigo.
Hoje e sempre.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O teu sorriso

Quem não tem medo de errar que atire a primeira pedra. Todos temos. A verdade é essa. Todos temos os nossos medos, as nossas angústias, as nossas frustrações. Todos temos medo de errar e de seguir as pisadas dos que já nos pisaram.

"Mas não é fácil", dizes-me tu desesperado.

Bem sei que não, mas não te deixes levar. Não deixes que o medo te tome e que o desespero te conduza para onde não queres ir. Encara os traumas de frente e pega "o touro pelos cornos", de cabeça erguida, punho cerrado e com um sorriso nos lábios. Acredita que essa é a tua maior arma.

"Achas?", respondeste já corado.

Eu estou aqui para ti, como sempre estive. Todos os dias. Mas não precisas de mim. Tens contigo a maior força do mundo: o teu sorriso.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Um dia encontrei-te

Um dia encontrei-te. Parecias rude, uma pessoa difícil de alcançar. Jurei que eras o típico portuguesinho bruta montes, antipático, com a mania que tem o Rei na barriga e a Rainha aos pés.
Enganei-me.
Conheci-te por dentro e por fora. Aliás, fui-te conhecendo por fora e só mais tarde por dentro, aos bocadinhos, à medida que me ias deixando. Apercebi-me que a dureza que constatei inicialmente era uma armadura que ocultava uma ternura que jamais pensei notar.
Foste-me contando situações da tua vida, sempre sem revelar muito mais além do que é normal, sempre com os dois pés bem atrás. Talvez achasses que eu fosse como eles. Mesmo assim, persisti. Não era eu se não insistisse, se não tentasse saber todos os pormenores. Afinal, o sonho do jornalismo está comigo desde que me lembro.
Foste-me deixando descobrir-te. Abriste-me os braços e a alma e partilhaste comigo os problemas que são teus. Dividiste comigo as frustrações que agora, são nossas.
Contaste-me aquelas coisas. Impensáveis, inimagináveis. Coisas que, confesso, nunca entraram na minha cabeça até te conhecer. Nunca as imaginei, sequer. Hoje, sei que existem, sei que passaste por elas, que te fizeram passar por elas. Sei que és assim porque a vida te obrigou. Se as coisas tivessem sido diferentes, talvez também o fosses.
Mas assim és: fiel a ti próprio e aos teus princípios, leal aos teus e às tuas raízes, verdadeiro e transparente. E isso é que nos faz gostar de ti. És o contrário de muitos que se cruzaram no teu caminho. Talvez por te teres apercebido que não querias ser como eles.
És sonhador, idealista e revolucionário. Preguiçoso, fiel ao "deixa andar" tipicamente lusitano. Mas respiras imaginação e transpiras ideias. És artista. Artista de raça e de fibra. Criador de histórias, artesão de sonhos…

Trilhos

Já era tarde, a noite há muito que tinha caído e o silêncio tomava conta da cidade. Ela, mantinha-se firme. Largada à sua sorte, vagueava por aquela rua à procura de algo que não sabia bem o que era. Mas continuava. E não olhava para trás. Percorria todos os becos. Talvez procurasse uma saída, mesmo sem se aperceber. Talvez tentasse encontrar uma direcção, uma rua para onde fugir. Aquela era escura e fria. Parecia interminável. Mas ela seguia sem nunca parar. Desvanecia-se nos trilhos daquela estrada a que um dia chamou vida.

Hoje, percorre a estrada a que um dia sonhou chamar vida. Nunca se sentiu tão bem.

Tu e o meu bolo de chocolate

Adoro bolo de chocolate. Adoro o meu bolo de chocolate. Enche-me e preenche-me. Enche-me as medidas do corpo e preenche-me a silhueta da alma. E tu és igual. Enches-me e preenches-me como se do meu bolo de chocolate te tratasses. És intenso e forte. Tal como ele.
Nunca parei para pensar nas vossas semelhanças, até hoje. Mas chego à conclusão que são bastantes. Ambos me transportam para outra dimensão, ambos me satisfazem e me deixam com um sorriso nos lábios. Ao mesmo tempo, às vezes, também me enjoam, também vos desprezo. Mas no fundo, continuo a olhar para vocês da mesma forma. E fazem-me bem.
Porque o bolo de chocolate autêntico faz arregalar os olhos, trincar os lábios e suar das mãos. Porque o verdadeiro bolo de chocolate, o meu bolo de chocolate, me troca as voltas e me exalta os sentidos.
E tu és assim: trocas-me e exaltas-me. As voltas e os sentidos.

De pé atrás

Vivemos dentro deste pequeno rectângulo, cujos limites são cada vez mais intransmissíveis. Fazemos parte de uma sociedade que gosta de se manter inalterada, somos avessos ao crescimento e à mudança. Assim, é fácil constatar que nada evolui. Assim, faz sentido quando os sábios referem que não saímos da cêpa torta. Somos demasiado racionais, demasiado ponderados, demasiado iguais a todos os outros. diferença assusta-nos e tentamos afastá-la a todo o custo. Procuramos a felicidade e o bem-estar na igualdade.
Deixemo-nos disto! Sejamos diferentes. Sejamos originais. Sejamos nós próprios e não imagens repetidas de tantos outros. Sejamos impulsivos, instintivos, irracionais e instantâneos. Sejamos inovadores nos pensamentos, nas palavras e nas atitudes. Sejamos sinceros e transparentes ao pôr as cartas na mesa e a abrir o jogo.
Deixemo-nos de preconceitos e discriminações. Deixemo-nos de falsos moralismos, de frases feitas e de clichés. Deixemo-nos de prender quem se quer libertar e deixemos ficar quem não quer ir. Não nos deixemos absorver.
Sejamos individuais, pessoais, exclusivos e particulares. Sejamos irracionais.
Deixemos de ter medo de admitir quem somos, deixemos de recear o pensamento alheio, deixemo-nos de máscaras e armaduras. Alteremos mentalidades. Tiremos as palas dos olhos e alarguemos os nossos horizontes.
Deixemos de ver apenas o óbvio e procuremos algo mais além do que está ao nosso alcance. Lutemos pela diferença, sejamos autênticos.
Se o que está à nossa volta não muda, que mudemos nós para que tudo mude!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Eye of the tiger

Lembras-te da primeira vez que olhei para dentro dos teus olhos? Foi naquela noite em que me prendi a ti e fiz questão que ficasses preso a mim. Naquela noite em que algo me empurrou para ti. Algo sem forma, sem cor, sem cheiro. Algo que desconheço, mas que gosto. E essa força estranha continua comigo. Até hoje. Já passou tanto tempo e alguma coisa insiste em me empurrar para ti. Chama-lhe amor. Eu não lhe sei dar nome. Mas gosto. E continuo a olhar para dentro dos teus olhos com a mesma intensidade daquela noite.

Acredito...

Acredito no jornalismo sério e isento.
Acredito no amor, na amizade e na liberdade.
Acredito no respeito e na consideração.
Acredito nas palavras, nos gestos e nos olhares.
Acredito nas pessoas, nos livros e no mar.
Acredito na música e na dança, e na dança ao som da música.
Acredito no prazer de um beijo de olhos fechados e num abraço que não acaba.
Acredito no toque que provoca arrepios e nos arrepios que me tocam.
Acredito nos segredos ao ouvido e nos suspiros de prazer.
Acredito nos olhos que não mentem e nos sorrisos que não se escondem.
Acredito na alegria e na verdade de uma lágrima.
Acredito num bloco e numa caneta.
Acredito nas cordas de uma viola.
Acredito no calor de uma tarde e na intensidade de uma noite.
Acredito nos momentos únicos e irrepetíveis. Acredito nas pessoas que os fazem.
Acredito no silêncio e nos cinco sentidos.
Acredito na vida.

Acredito em mim e nos outros.
Acredito em nós enquanto raça.
Acredito em nós enquanto credo.
Acredito em nós enquanto futuro.

Abrir Aspas

Este, é mais um lugar de encontro, um lugar de criação. O lugar onde vou abrir aspas e partilhar as memórias de outrora e os sonhos de amanhã. Decidi partilhar o que até hoje guardei para mim e para os mais chegados. Decidi partilhar sentimentos, partilhar estórias e partilhar projectos. Abrir aspas para mim, por mim e para vocês. Este, será o meu refúgio. Este, será o vosso abrigo.

Teresa Castro Viana