O pior é que a inspiração não vem quando a chamamos. Não avisa. Se a quero, bem que posso gritar aos sete ventos e pedir-lhe encarecidamente que entre na minha cabeça e me ajude. É sempre em vão. Só aparece quando não preciso dela, quando não estou a contar e quando menos jeito dá. Gosta sempre de aparecer quando estou no trânsito e não posso pegar no papel e na caneta para escrever. Algumas vezes, também dá sinais de si quando estou na cama, já quase a adormecer, e tenho preguiça de me levantar para escrever. E depois foge. Isso é que é ingrato. Agora que preciso dela, nada. Ando aqui com a cabeça às voltas e ela nem suspira. E tu sempre foste assim. Sempre que precisava de ti, nada, nem "ai" nem "ui". Quando não dava jeitinho nenhum que aparecesses, lá estavas tu para dar o ar da tua graça. E com isto, a minha inspiração continua longe. Nem a vejo. Quero-a e não sei para onde fugiu. Se és tu que a tens, faz-me um favor e devolve-ma. Amigo não empata amigo. Sempre ouvi dizer.
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