Quem escreve – com e por prazer – reconhece a responsabilidade que tem em mãos logo no momento em que desenha a primeira letra. Escrever é, por si só, magia pura. Escrever e causar sensações nos outros é um dom que poucos têm e que muitos batalham para ter.
A responsabilidade de quem
escreve é gigante e aumenta desmesuradamente quando toca os outros, positiva ou
negativamente. O importante é tocar, é fazer pensar. É, essencialmente,
transformar em palavras pensamentos de outrem, perdidos no tempo e na angústia
de não serem reproduzidos.
E como qualquer acto responsável,
escrever implica esforço e superação. A par disso, implica medo. O medo de não se ultrapassar, de cair no mesmo erro, de não corresponder às expectativas. É um medo saudável, quase defensivo com medo de estragar o que já está reconhecido e imortalizado. Mas também na escrita é preciso mergulhar de cabeça, arriscar e enfrentar esse medo de ser repetitivo ou enfadonho, esse medo tantas vezes impeditivo de dar corda às mãos.
Quem escreve sabe que não é fácil,
que uma folha de papel em branco dá pesadelos durante a noite e que uma caneta sem tinta num
momento mesmo perfeito pode comprometer uma história memorável. Quem escreve também
sabe que o importante se guarda no coração e que é dele que saem as palavras,
em maiúsculas, a implorar para se eternizarem numa folha de papel.
Escrever é magia e é
responsabilidade. O dom, tem-no quem consegue provocar sorrisos e gargalhadas, fazer cair lágrimas e arrepiar do primeiro ao último parágrafo.
O segredo é esse: reproduzir em terceiros as sensações que estiveram na origem de cada palavra, conseguir tocar os outros com histórias que (aparentemente) não são as deles.