Esta geração continua a dar que falar. Abre os noticiários e faz manchete nos principais jornais. Todos os dias, milhares de jovens como eu vêem as oportunidades de trabalho cada vez mais longe e, muitos deles, desistem e perdem as forças a meio do caminho. O futuro corre para longe a uma velocidade que nem todos conseguem acompanhar. Afinal, de que vale ter o canudo e o currículo preenchido de estágios? Os empregadores pedem experiência. Nós, pedimos que a dêem. Quando o quadro é este, a moldura não é, de todo, bonita.
E não falo só por mim nem pelos da minha área. Falo por todos os jovens: pelos jovens advogados, pelos jovens arquitectos, pelos jovens engenheiros, enfermeiros e designers... Falo em nome de todos os que estão na mesma posição que eu. Vá, denunciem-se.
É assim tão complicado "arrumar a casa" e comprar móveis novos para compor a mobília? Se é, deixem-se de histórias da Carochinha e desistam das falinhas mansas. Se é, deixem de afirmar e de nos fazer acreditar que somos, realmente, a geração do futuro. Por outro lado, se ainda acreditam nisso, provem-nos e dêem-nos as oportunidades. Não pedimos mais que isso. Só o seremos se nos deixarem.
Esta geração continua a dar que falar. Eu, apesar das portas fechadas, continuo o meu percurso a fazer o que de melhor sei e a combater injustiças, inoportunidades e vicissitudes. Como eu, há muitos que lutam incessantemente e não pretendem parar. "Só descanso quando chegar onde quero", dizia-me um amigo, em conversa. E eu assino por baixo. Só paro de sonhar quando o sonho se tornar real. Até lá, hei-de bater a muitas portas e hei-de bater com a cabeça em muitas portas. Provavelmente, vou chorar muitas vezes. Sei que vou mandar o jornalismo à merda, deitar as mãos à cabeça e perguntar-me o porquê de ter escolhido esta profissão. Simples: porque a amo.