segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O mesmo lado

És um exemplo. Em tudo o que fazes, em cada palavra sábia que pronuncias. Consegues sê-lo até quando sorris, depois de fitares os meus olhos com esse ar meigo e sabedor tão teu...

Medes sempre as palavras, talvez numa tentativa de não me magoar, de não me fazer perder o que me resta da esperança. Sempre o fizeste e nisso, és tal e qual como eu. Não te escondes, não abafas o que pensas mas tens o cuidado de chegar devagarinho ao coração de quem te ouve.

Tens esse dom. Entre muitos.
Tens o dom da palavra - esse que nos é comum -, mas és e tens mais do que isso. Transpiras sabedoria e inspiração. Correndo o risco de me repetir (e chegando mesmo a repetir-me), és um exemplo. Um daqueles bonitos que somos ensinados a seguir porque "é assim que deve ser".

Tenho muito orgulho em ter-te na minha vida, no meu círculo de amigos, no meu (restrito e pequenino) círculo de amores.

És especial.

domingo, 4 de agosto de 2013

Talvez só porque sim

É, talvez seja mesmo só porque sim, talvez o mais simples seja mesmo não complicar.
Indo e vendo - diziam eles. Repetidamente. E assim levavam a vida, ao sabor do vento e dos apetites. E juravam que era tudo mais fácil e mais desafiante.

Gostavam de ser assim: de saber que nunca sabiam o que vinha depois. Brincavam até ao limite mas nunca deixavam o jogo cair nas mãos erradas. A dúvida estava sempre lá mas sabiam bem como a controlar. E onde. E porquê.

Eram habilidosos. Acima de tudo eram protectores. Cuidarem um do outro era uma missão para ambos desde o primeiro dia, quando descobriram que as verdades mais bonitas  por vezes se escondem. Em fornos.

domingo, 16 de junho de 2013

Tudo tão certo

É assim desde o primeiro dia, desde o momento em que, quase por magia, tudo se encaixou perfeita e naturalmente.

A batida é, desde então, tão certa como a vontade, tão verdadeira como a força que move tudo isto. Contigo, é tudo mais simples do que alguma vez imaginei e mais bonito e real do que alguma vez vivi.

Gostar é crescermos juntos, rirmos juntos, arrepiarmo-nos juntos quando pensamos no futuro e chorarmos juntos (mesmo sabendo que não há nada mais piroso). Sabemos que gostamos de alguém quando temos saudades mal viramos costas, quando (ainda) nos rimos das mesmas brincadeiras, aquelas que já sabemos de cor.

Connosco tem sido assim, Pedro. Desde o primeiro dia, desde o momento em que, quase por magia, tudo se encaixou perfeita e naturalmente.

Uma coisa é certa: Hoje, gosto muito mais de ti do que há  uns meses atrás. Mesmo assim, olho para ti todos os dias como se fosse a primeira vez. E não há nada mais certo.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Saudade

É, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, um nome feminino que traduz um "sentimento melancólico causado pela ausência ou pelo desaparecimento de pessoas ou coisas a que se estava afectivamente muito ligado, pelo afastamento de um lugar ou de uma época, ou pela privação de experiências agradáveis vividas anteriormente".  No plural são "cumprimentos a uma pessoa ausente; lembranças" ou até o "nome de várias plantas da família das Dipsacáceas e das Compostas, e das flores respectivas". Morrer de saudades significa "sentir muito a falta (de)" e vem do latim solitãte, «solidão».

E não há nada mais português que a saudade.

Sente-se saudades de quem já partiu, das amizades que se perderam pelo caminho e dos momentos felizes que ficaram para trás. Temos saudades do tempo em que tudo era fácil de resolver e das experiências que nos fizeram ser quem somos.

Eu, tenho saudades daquele beijo na testa e do par de sorrisos que nunca vou esquecer. Sim, porque há mesmo sorrisos que aquecem o coração e marcam uma vida. Para sempre.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O dom da palavra

Quem escreve – com e por prazer – reconhece a responsabilidade que tem em mãos logo no momento em que desenha a primeira letra. Escrever é, por si só, magia pura. Escrever e causar sensações nos outros é um dom que poucos têm e que muitos batalham para ter.

A responsabilidade de quem escreve é gigante e aumenta desmesuradamente quando toca os outros, positiva ou negativamente. O importante é tocar, é fazer pensar. É, essencialmente, transformar em palavras pensamentos de outrem, perdidos no tempo e na angústia de não serem reproduzidos.

E como qualquer acto responsável, escrever implica esforço e superação. A par disso, implica medo. O medo de não se ultrapassar, de cair no mesmo erro, de não corresponder às expectativas. É um medo saudável, quase defensivo com medo de estragar o que já está reconhecido e imortalizado. Mas também na escrita é preciso mergulhar de cabeça, arriscar e enfrentar esse medo de ser repetitivo ou enfadonho, esse medo tantas vezes impeditivo de dar corda às mãos.

Quem escreve sabe que não é fácil, que uma folha de papel em branco dá pesadelos durante a noite e que uma caneta sem tinta num momento mesmo perfeito pode comprometer uma história memorável. Quem escreve também sabe que o importante se guarda no coração e que é dele que saem as palavras, em maiúsculas, a implorar para se eternizarem numa folha de papel.

Escrever é magia e é responsabilidade. O dom, tem-no quem consegue provocar sorrisos e gargalhadas, fazer cair lágrimas e arrepiar do primeiro ao último parágrafo.

O segredo é esse: reproduzir em terceiros as sensações que estiveram na origem de cada palavra, conseguir tocar os outros com histórias que (aparentemente) não são as deles.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Sinergias

É-nos difícil como pessoas, como seres humanos, darmos o braço a torcer ou darmos apenas a mão à palmatória quando nos apercebemos que estamos errados. Quase tão difícil como quando nos apercebemos que alguém de quem gostamos meteu a pata na poça.

Com a mesma garra que nos protegemos, defendemos os nossos. Somos companheiros. Amigos ou amantes, pouco importa. Lutamos com unhas e dentes e cuidamos de quem gostamos como se fossem nós próprios, até quando temos a certeza de que é errado fazê-lo.

Devemos esperar alguma coisa em troca? Será justa e merecida a defesa até ao último recurso? Acredito que varie de pessoa para pessoa, de situação para situação. Continuo a acreditar que a história tem muitos capítulos e personagens e que é impensável e redutor colocá-la num saco só.

Arrependimento? Sim, sei o que é.

É um dos piores sentimentos do mundo.
Ao mesmo tempo, é um dos que mais nos ensina.

Se voltava atrás? Mentiria se dissesse que não. Sei que, como sou, voltaria a fazer o mesmo porque acredito que os nossos hão-de o ser sempre. 
E um dia há-de valer a pena.

domingo, 3 de março de 2013

Porto

Cinzenta mas com um sotaque carregado e solarengo, fria mas de gente acalorada. Assim é o Porto: a cidade das pontes e do Douro que nos molha os pés, esse lugar de afectos e de saudade, de palavras inesquecíveis e lágrimas que jamais secam. Assim é este paraíso mágico que nos crava memórias na pele com a força de uma vida.

É Porto de família, Porto de amigos. Porto que enche e preenche a alma como se fosse sempre a primeira vez. Porto que levamos na memória sempre que, com dor, o abandonamos. Porto de recantos que não se esquecem. Porto de pessoas que marcam. Porto emotivo, Porto nostálgico, Porto quente.

Porto de passagem para alguns. Porto de paragem para todos os que respiram o cheiro a vida.  Porto de ontem e de sempre. Porto de abrigo. Porto de encontros e desencontros. Porto que faz esboçar sorrisos e deixar cair lágrimas. Porto que se desprende em gargalhadas e em arrepios que não passam. 

Assim é o Porto que me viu nascer, o Porto que me fez crescer.

Porto é Amor.
Amor que nunca morre.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Recados

Consciente ou inconscientemente, deixamos recados todos os dias.

Podemos escrevê-los num papel antigo, à pressa, antes de sair de casa ou deixar uma mensagem de voz no telemóvel do amigo que insiste em não atender. Também damos recados quando subimos o volume da voz e o tom de ameaça fica iminente nas nossas palavras (a este, chamamos "o recadinho").

Há recados que damos de forma pensada e consciente, com um objectivo, um propósito. E depois há os outros: os que se dão sem notar, por impulso, causados por uma vontade-mais-que-absurda, por algum distúrbio obsessivo ou simplesmente por um ápice de loucura.

E são esses que guardamos. Uma palavra bonita que sai sem querer, um pedido exagerado ou fora de ritmo, um abraço inesperado, uma gargalhada em sintonia, um presente especial. Há recados "que nos beijam como se tivessem boca".

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Por entre os dedos

Vivia uma realidade completamente nova. Não sabia como lidar com aquele cenário de filme. Não sabia dar carinho, não sabia dar atenção, nem sequer sabia pedi-la. Isso da entrega era novo, desconhecido, como um mergulho que se dá de cabeça sem pestanejar, sem medo de bater no fundo.

E como não sabia nada, limitava-se a reagir por impulso, à defesa, sempre a medo. Sentia que tinha um objecto frágil nas mãos, algo que a qualquer momento lhe podia escorregar por entre os dedos, sem que nada pudesse fazer para o reparar. A sua missão era apenas uma: proteger.

Reagia de forma maternal e (muito) exagerada como, aliás, reagem sempre as boas mães. Sabia admitir que o método talvez não fosse o mais ortodoxo, tinha consciência que nem sempre fazia as coisas da maneira certa, mas não sabia deixar de o fazer. Mesmo que soubesse, nada mudava: não queria, por nada, deixar de o fazer.

Chamava-lhe instinto de amor.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Maria

De olhar inocente e sorriso fácil: assim é Maria.

Maria é um poço de ternura, uma menina carregada de sonhos na bagagem que, à primeira vista, parece tímida, frágil e resguardada de tudo e de todos.
Mas Maria não pode ser analisada de passagem. Maria merece toda a profundidade deste mundo e do outro.
Guarda dentro dela uma força e uma garra incomuns, uma vontade de ser sempre mais e melhor, uma necessidade absoluta de realizar todos esses sonhos que transporta e de caminhar sempre de mãos dadas com os que ama.
Maria é um exemplo de coragem, de cumplicidade, de transparência. Maria é um ícone de sabedoria, de companheirismo e de amizade. Maria é mais do que isso. Maria é irmandade, espelho de alma e reflexo de vida.

Maria é criança, caçula e princesa.
Maria é mulher, a conotação mais flagrante de pureza e de amor.

É fácil gostar de Maria. Mais fácil ainda é apaixonar-se por Maria, a menina de cabelos longos e aloirados, de olhos doces e covinhas encantadoras. Quem, por sorte, se cruza no seu caminho, quer (e faz questão) de a manter sempre por perto.

Maria é o que mostra e o que esconde. Maria é o que agrada e o que assusta.
Maria é uma demonstração de carinho, um abraço apertado, uma inspiração.
Maria é trabalho e lazer, é (ir)responsabilidade comedida.
Maria é música calminha e MEC.
Maria é um sorriso cúmplice e uma gargalhada desprendida.

Maria faz bem, sabe bem e soa sempre bem.
Maria é-o-que-é: palavras atrás de palavras.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Coragem

Ele não tinha coragem. Brincava, fazia trocadilhos, ria-se, fazia-a rir, mas não tinha coragem. Ela não tinha coragem. Falava por meias-palavras, sorria, inventava formas de se pronunciar, mas não tinha coragem.

Faltava-lhes a oportunidade, o momento mais-que-certo, o timming.
O resto estava lá, mais presente do que nunca. Mas não era suficiente.
Ele sabia que não.
Ela sabia que não.

Faltava-lhes coragem mas soava cada vez mais alto, gritava cada vez mais alto aos ouvidos.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sol

O espreguiçar dela era diferente desde aquele dia. Até o apagar a luz e fechar os olhos para dormir passou a ter outro sabor. Acordava com a certeza de que tinha o mundo nas mãos e deitava-se feliz por o ter encostado ao coração.

O sorriso, aquele sorriso tão dela, estava no auge, todos os dias, desde aquele dia. Sentia-se feliz. Feliz mesmo. Respirava fundo e dançava com a alma.
A cada passo que dava, mais certeza tinha do bom que era estar feliz. Feliz mesmo.

Cantava constantemente e toda a gente tinha a sorte de levar com o seu (antes raro) bom humor. Tudo parecia agora mais bonito, com mais cor. Ela própria estava meiga, carinhosa, compreensiva. Estava feliz. Feliz mesmo.

Os dias eram longos mas passavam à velocidade da luz. Contraditório, como a vida. Em contra-relógio, em modo decrescente, contava as horas, os minutos. Os segundos a passar soavam alto aos seus ouvidos. Já faltava pouco.

Ela estava feliz. Feliz mesmo.