Vivia uma realidade completamente nova. Não sabia como lidar com aquele cenário de filme. Não sabia dar carinho, não sabia dar atenção, nem sequer sabia pedi-la. Isso da entrega era novo, desconhecido, como um mergulho que se dá de cabeça sem pestanejar, sem medo de bater no fundo.
E como não sabia nada, limitava-se a reagir por impulso, à defesa, sempre a medo. Sentia que tinha um objecto frágil nas mãos, algo que a qualquer momento lhe podia escorregar por entre os dedos, sem que nada pudesse fazer para o reparar. A sua missão era apenas uma: proteger.
Reagia de forma maternal e (muito) exagerada como, aliás, reagem sempre as boas mães. Sabia admitir que o método talvez não fosse o mais ortodoxo, tinha consciência que nem sempre fazia as coisas da maneira certa, mas não sabia deixar de o fazer. Mesmo que soubesse, nada mudava: não queria, por nada, deixar de o fazer.
Chamava-lhe instinto de amor.
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