segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Por entre os dedos

Vivia uma realidade completamente nova. Não sabia como lidar com aquele cenário de filme. Não sabia dar carinho, não sabia dar atenção, nem sequer sabia pedi-la. Isso da entrega era novo, desconhecido, como um mergulho que se dá de cabeça sem pestanejar, sem medo de bater no fundo.

E como não sabia nada, limitava-se a reagir por impulso, à defesa, sempre a medo. Sentia que tinha um objecto frágil nas mãos, algo que a qualquer momento lhe podia escorregar por entre os dedos, sem que nada pudesse fazer para o reparar. A sua missão era apenas uma: proteger.

Reagia de forma maternal e (muito) exagerada como, aliás, reagem sempre as boas mães. Sabia admitir que o método talvez não fosse o mais ortodoxo, tinha consciência que nem sempre fazia as coisas da maneira certa, mas não sabia deixar de o fazer. Mesmo que soubesse, nada mudava: não queria, por nada, deixar de o fazer.

Chamava-lhe instinto de amor.

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