Um dia sou água. Noutro, fogo. Sou versátil. Incoerente, talvez. Confundo-me e confundo-te. Sou felicidade e melancolia num misto de sentimentos e razões. Sou terra e mar, quente e frio, doce e amargo. Sou o espelho do que aprendi e de tudo o que ensinei. Sou perto e longe, sou sorte e azar. Sou certo e errado, sempre. Criança e mulher, alma e coração. Sou promessa e paz, dúvida e guerra. Sou o sorriso que me define e a garra que tão bem conheces. Sou números e letras e sou letras outra vez. Sou mutante e não me faltam certezas. Sou o oposto de mim mesma, com tudo a que tenho direito.
segunda-feira, 26 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Aromas
Acordo sem que nada me doa, sem
que as pernas acusem cansaço e a cabeça, exaustão. Desperto quando o sol me
beija e aqueço as mãos com as páginas de um jornal. Sinto um travo doce que me
carimba a alma para o resto do dia e inalo-o, para que não se perca entre a
acidez das palavras que ouço e a amargura das que não consigo ouvir. Sem espaço
para fugas, prendo-me ao que me faz mover. Elevo-me à sua importância e asfixio-o,
para que não se desfaça em memórias. E volto a inspirar. E a respirar-te bem
fundo. Este travo doce que me escolta lembra-me de ti e de quando tudo era
diferente.
terça-feira, 6 de março de 2012
Sinto
Entramos num mundo que já não nos lembrávamos de conhecer. Nem queriamos. Entramos, juntamos gestos e palavras, unimos a cumplicidade ao respeito. E entramos. Agora, o acordar sabe melhor e o deitar já não é incerto. Os pés estão bem pousados no chão e o coração, cá dentro, está mais seguro. O sorriso faz-se ver a cada momento e o sol põe-se sempre naquele mar. As certezas caminham ao meu lado, de mãos dadas, firmes. A entrega é de corpo e alma. Eu mostro e tu não esqueces. Tu mostras e eu, longe estou de me esquecer. Não te sentes mais próximo agora? Eu sinto. Que seja sempre assim. Que tudo continue a fazer sentido.
O inteiro das metades
Hoje o silêncio é a palavra de ordem. Hoje, à meia luz, paira no ar uma melodia que percorre todos os recantos deste abrigo. Perdida nos meus pensamentos e nas folhas de tantos livros, descontrolada com o batimento do meu coração e com as dúvidas que me assaltam o pensamento, vou escrevendo histórias. E vou procurando respostas.
Acto de cobardia ou sinal de grande coragem? Não sei. Vou lançar pedras no caminho, do alto da minha melancolia. Talvez descubra. Se assim for, que o faça sozinha, sem que me ampares a queda. Eu chego lá. Mais cedo do que penso e mais tarde do que imaginas. Preciso de respostas e de trilhos para percorrer. Quero a vida por inteiro.
"Antes de quereres a vida por inteiro, preocupa-te em conservar o que tens pela metade", dirias-me tu se aqui estivesses.
Acto de cobardia ou sinal de grande coragem? Não sei. Vou lançar pedras no caminho, do alto da minha melancolia. Talvez descubra. Se assim for, que o faça sozinha, sem que me ampares a queda. Eu chego lá. Mais cedo do que penso e mais tarde do que imaginas. Preciso de respostas e de trilhos para percorrer. Quero a vida por inteiro.
"Antes de quereres a vida por inteiro, preocupa-te em conservar o que tens pela metade", dirias-me tu se aqui estivesses.
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