Acordo sem que nada me doa, sem
que as pernas acusem cansaço e a cabeça, exaustão. Desperto quando o sol me
beija e aqueço as mãos com as páginas de um jornal. Sinto um travo doce que me
carimba a alma para o resto do dia e inalo-o, para que não se perca entre a
acidez das palavras que ouço e a amargura das que não consigo ouvir. Sem espaço
para fugas, prendo-me ao que me faz mover. Elevo-me à sua importância e asfixio-o,
para que não se desfaça em memórias. E volto a inspirar. E a respirar-te bem
fundo. Este travo doce que me escolta lembra-me de ti e de quando tudo era
diferente.
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