terça-feira, 24 de abril de 2012

Para toda a vida

Este texto, nada mais é do que uma sincera homenagem. Nada mais é do que uma prova do enorme respeito e admiração que nutro por elas. Elas que, de uma maneira ou de outra, longe ou perto, sempre estiveram ao meu lado. Podem passar meses, anos, pode passar uma vida inteira que as pessoas importantes ficam sempre, seja de que maneira for. E vocês, minhas amigas, vão ficar sempre.
Umas mais antigas, outras de agora. Mas todas, para sempre. Devo-vos grande parte do que sou hoje. Devo tudo aos vossos ensinamentos, às vossas experiências e às palavras que me repetiram aos ouvidos, vezes e vezes sem conta.
Mais do que cumplicidade, são memórias, confissões e promessas.  São histórias de vida para lembrar sempre e para partilhar, um dia mais tarde. São relações de ferro, inabaláveis. Resistentes ao tempo e à distância.

É amor. E tenho o maior orgulho do mundo em cada uma de vocês.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Contracurvas

Os olhos dele mudaram. Ela esperava ter visto mais amor mas só viu desencanto. Talvez tenha perdido a curiosidade, talvez o mistério tenha sido decifrado, num ápice, quase sem que ela desse conta.

Bastou uma conversa.

Ele mudou. Voltou a entusiasmar-se, a render-se e a permitir que ela o conhecesse. Libertou-se, pelo menos por uns tempos. A vontade dela foi a chave para que tudo voltasse a ser como dantes. E ela sempre o avisou, sempre lhe disse:

" - Vou lutar por ti todos os dias, mesmo que seja difícil, mesmo que te sinta longe. Vou lutar por ti todos os dias até deixares de querer".

E assim o fez. E continua a fazê-lo. Todos os dias. Anseia pelo olhar que não desiste, pelo desejo que não morre e pelo sorriso ao acordar. Quer aprender a desvendá-lo. Quer aproveitar todos os segundos de cada minuto.

" - Só quero que sejas comigo o que sou contigo: o melhor que posso", concluiu, sem rodeios.

Ele calou-se e abraçou-a, com medo de a perder.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Cais

Acordou e abriu a janela. A chuva deu-lhe os bons dias, como há muito já não fazia. Sentiu o cheiro a terra molhada e lembrou-se do cais onde, um dia, o viu partir. Cais de encontros e desencontros, de amores e desamores. Cais onde, um dia, espera vê-lo regressar.

Lembra-se de quando passeavam pelas montanhas, onde tanto gostavam de estar. O cheiro a pinheiro bravo provocava arrepios continuados e o silêncio era de tal forma ensurdecedor que nem as palavras faziam sentido.

E foi sem falar que ele partiu, no dia em que embarcou e desapareceu naquele cais. Até hoje. Ela ainda o espera e o cheiro a terra molhada permanece vivo, como se nada tivesse mudado.

Se ele regressar, talvez desbravem montes e vales como antigamente. Talvez voltem a sentir o cheiro daquele pinheiro bravo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Alma

Lembro-me de estar deitada ao teu colo, rendida à natureza que me beijava os pés. A tua mão teimosa viajava pelas minhas costas e o meu respirar ecoava no teu. Suspirávamos em coro. Decifrava-me no reflexo salgado dos teus olhos enquanto me brindavas com murmúrios de uma melodia hipnotizante.

Já não te ouço há algum tempo.

Rendida, deixava-me levar pela insistência da tua música e pela vontade com que lhe davas alma.

Já não te ouço há algum tempo.

Volta a embalar-me com o teu blues. Eu rendo-me.