quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Assim são eles

E os dias de chuva são assim: capazes-de-nos-tirar-a-vontade-de-fazer-quase-tudo. Quando chegam, fazem-se acompanhar do desconforto e da desordem. Chegam os três, em bando, sem avisar ninguém. Partem os mesmos três, solitários, cinzentos e passam à frente as despedidas.

São assim: obrigam-nos a parar e a olhar para o que não vemos, a tentar ver para além do que nos é dado de mão-beijada. Obrigam-nos a apanhar boleia e a fazer uma viagem só de ida, ao encontro dos sonhos escondidos e dos segredos (tão) bem guardados por detrás de temperaturas geladas e ventos que até a alma despenteiam.

É nas gotas grossas da chuva que tudo molha, dentro das camisolas de lã e das botas de pêlo que os pensamentos viajam. É nas viagens perigosas e já de si acidentadas, nos gritos de um Inverno furioso que tudo se desprende. Afinal, é nesses dias de chuva grossa que o norte também se perde.