quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

2015

Abri a agenda deste ano na primeira página e percorri-a do início ao fim para não me escapar nada. Mas, verdade seja dita, conseguia escrever estas linhas sem ela. O que foi realmente inesquecível não precisa de lembretes.

2015 foi o ano das viagens: Madeira, Milão, Gerês, Algarve, Madrid, Belém do Pará - sabes, avó, adorava poder contar-te tudo o que vi, falar-te das pessoas que conheci e de tudo o que provei. Foi uma viagem linda. E foram, sem dúvida, as duas semanas mais especiais de 2015 - mas este ano foi muito mais do que isso...

Foi o ano em que completei um quarto de século e em que vi nascer o filho de uma amiga que é quase irmã. Foi um ano de muito trabalho, de muitos desafios e de ainda mais amor. E foram muitos os sorrisos à volta de tantas mesas, muitos brindes à vida e às amizades para a vida. Foi um ano de bons abraços, boas conversas e de bem comer.

Mais um ano repleto de concertos, de jogos de futebol e de pistas de dança. Mais um para ter saudades de quem já cá não está, de fazer novos amigos e de deixar algumas pessoas pelo caminho. Os meus? Esses estão sempre comigo.

Fizeste-me bem, 2015. Que venha o próximo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Assim são eles

E os dias de chuva são assim: capazes-de-nos-tirar-a-vontade-de-fazer-quase-tudo. Quando chegam, fazem-se acompanhar do desconforto e da desordem. Chegam os três, em bando, sem avisar ninguém. Partem os mesmos três, solitários, cinzentos e passam à frente as despedidas.

São assim: obrigam-nos a parar e a olhar para o que não vemos, a tentar ver para além do que nos é dado de mão-beijada. Obrigam-nos a apanhar boleia e a fazer uma viagem só de ida, ao encontro dos sonhos escondidos e dos segredos (tão) bem guardados por detrás de temperaturas geladas e ventos que até a alma despenteiam.

É nas gotas grossas da chuva que tudo molha, dentro das camisolas de lã e das botas de pêlo que os pensamentos viajam. É nas viagens perigosas e já de si acidentadas, nos gritos de um Inverno furioso que tudo se desprende. Afinal, é nesses dias de chuva grossa que o norte também se perde.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O mesmo lado

És um exemplo. Em tudo o que fazes, em cada palavra sábia que pronuncias. Consegues sê-lo até quando sorris, depois de fitares os meus olhos com esse ar meigo e sabedor tão teu...

Medes sempre as palavras, talvez numa tentativa de não me magoar, de não me fazer perder o que me resta da esperança. Sempre o fizeste e nisso, és tal e qual como eu. Não te escondes, não abafas o que pensas mas tens o cuidado de chegar devagarinho ao coração de quem te ouve.

Tens esse dom. Entre muitos.
Tens o dom da palavra - esse que nos é comum -, mas és e tens mais do que isso. Transpiras sabedoria e inspiração. Correndo o risco de me repetir (e chegando mesmo a repetir-me), és um exemplo. Um daqueles bonitos que somos ensinados a seguir porque "é assim que deve ser".

Tenho muito orgulho em ter-te na minha vida, no meu círculo de amigos, no meu (restrito e pequenino) círculo de amores.

És especial.

domingo, 4 de agosto de 2013

Talvez só porque sim

É, talvez seja mesmo só porque sim, talvez o mais simples seja mesmo não complicar.
Indo e vendo - diziam eles. Repetidamente. E assim levavam a vida, ao sabor do vento e dos apetites. E juravam que era tudo mais fácil e mais desafiante.

Gostavam de ser assim: de saber que nunca sabiam o que vinha depois. Brincavam até ao limite mas nunca deixavam o jogo cair nas mãos erradas. A dúvida estava sempre lá mas sabiam bem como a controlar. E onde. E porquê.

Eram habilidosos. Acima de tudo eram protectores. Cuidarem um do outro era uma missão para ambos desde o primeiro dia, quando descobriram que as verdades mais bonitas  por vezes se escondem. Em fornos.

domingo, 16 de junho de 2013

Tudo tão certo

É assim desde o primeiro dia, desde o momento em que, quase por magia, tudo se encaixou perfeita e naturalmente.

A batida é, desde então, tão certa como a vontade, tão verdadeira como a força que move tudo isto. Contigo, é tudo mais simples do que alguma vez imaginei e mais bonito e real do que alguma vez vivi.

Gostar é crescermos juntos, rirmos juntos, arrepiarmo-nos juntos quando pensamos no futuro e chorarmos juntos (mesmo sabendo que não há nada mais piroso). Sabemos que gostamos de alguém quando temos saudades mal viramos costas, quando (ainda) nos rimos das mesmas brincadeiras, aquelas que já sabemos de cor.

Connosco tem sido assim, Pedro. Desde o primeiro dia, desde o momento em que, quase por magia, tudo se encaixou perfeita e naturalmente.

Uma coisa é certa: Hoje, gosto muito mais de ti do que há  uns meses atrás. Mesmo assim, olho para ti todos os dias como se fosse a primeira vez. E não há nada mais certo.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Saudade

É, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, um nome feminino que traduz um "sentimento melancólico causado pela ausência ou pelo desaparecimento de pessoas ou coisas a que se estava afectivamente muito ligado, pelo afastamento de um lugar ou de uma época, ou pela privação de experiências agradáveis vividas anteriormente".  No plural são "cumprimentos a uma pessoa ausente; lembranças" ou até o "nome de várias plantas da família das Dipsacáceas e das Compostas, e das flores respectivas". Morrer de saudades significa "sentir muito a falta (de)" e vem do latim solitãte, «solidão».

E não há nada mais português que a saudade.

Sente-se saudades de quem já partiu, das amizades que se perderam pelo caminho e dos momentos felizes que ficaram para trás. Temos saudades do tempo em que tudo era fácil de resolver e das experiências que nos fizeram ser quem somos.

Eu, tenho saudades daquele beijo na testa e do par de sorrisos que nunca vou esquecer. Sim, porque há mesmo sorrisos que aquecem o coração e marcam uma vida. Para sempre.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O dom da palavra

Quem escreve – com e por prazer – reconhece a responsabilidade que tem em mãos logo no momento em que desenha a primeira letra. Escrever é, por si só, magia pura. Escrever e causar sensações nos outros é um dom que poucos têm e que muitos batalham para ter.

A responsabilidade de quem escreve é gigante e aumenta desmesuradamente quando toca os outros, positiva ou negativamente. O importante é tocar, é fazer pensar. É, essencialmente, transformar em palavras pensamentos de outrem, perdidos no tempo e na angústia de não serem reproduzidos.

E como qualquer acto responsável, escrever implica esforço e superação. A par disso, implica medo. O medo de não se ultrapassar, de cair no mesmo erro, de não corresponder às expectativas. É um medo saudável, quase defensivo com medo de estragar o que já está reconhecido e imortalizado. Mas também na escrita é preciso mergulhar de cabeça, arriscar e enfrentar esse medo de ser repetitivo ou enfadonho, esse medo tantas vezes impeditivo de dar corda às mãos.

Quem escreve sabe que não é fácil, que uma folha de papel em branco dá pesadelos durante a noite e que uma caneta sem tinta num momento mesmo perfeito pode comprometer uma história memorável. Quem escreve também sabe que o importante se guarda no coração e que é dele que saem as palavras, em maiúsculas, a implorar para se eternizarem numa folha de papel.

Escrever é magia e é responsabilidade. O dom, tem-no quem consegue provocar sorrisos e gargalhadas, fazer cair lágrimas e arrepiar do primeiro ao último parágrafo.

O segredo é esse: reproduzir em terceiros as sensações que estiveram na origem de cada palavra, conseguir tocar os outros com histórias que (aparentemente) não são as deles.