Consciente ou inconscientemente, deixamos recados todos os dias.
Podemos escrevê-los num papel antigo, à pressa, antes de sair de casa ou deixar uma mensagem de voz no telemóvel do amigo que insiste em não atender. Também damos recados quando subimos o volume da voz e o tom de ameaça fica iminente nas nossas palavras (a este, chamamos "o recadinho").
Há recados que damos de forma pensada e consciente, com um objectivo, um propósito. E depois há os outros: os que se dão sem notar, por impulso, causados por uma vontade-mais-que-absurda, por algum distúrbio obsessivo ou simplesmente por um ápice de loucura.
E são esses que guardamos. Uma palavra bonita que sai sem querer, um pedido exagerado ou fora de ritmo, um abraço inesperado, uma gargalhada em sintonia, um presente especial. Há recados "que nos beijam como se tivessem boca".
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