terça-feira, 27 de novembro de 2012

Estações

Em dias chuvosos, escuros e tristes a vontade estagna. Por vezes reduz e chega mesmo a dispersar-se. O frio e os vendavais fazem parte do quotidiano e a luz é apenas passageira. Não são raros os momentos em que miramos o que não vemos, procuramos respostas em questões vazias e tentamos alcançar o que é alheio ao toque.
Apanhamos boleia num qualquer veículo sem rodas e fazemos uma viagem só de ida, ao encontro dos sonhos, dos desejos e dos segredos escondidos por detrás de temperaturas geladas e de ventos que até a alma despenteiam.
Permanecemos longe, por tempos indeterminados, indetermináveis, jamais queridos ou procurados. Apenas encontrados, perdidos em ilusões e incertezas, em vontades injustas e pecadoras.
É nas gotas grossas da chuva que tudo molha, dentro das camisolas de lã e das botas de pêlo, nas viagens perigosas e nos ventos fortes, que os pensamentos se deixam levar sem destino ou direcção.
Em dias chuvosos, escuros e tristes a mente vagueia, frágil, rumo a outra estação, rumo à luz que garanta e decida, rumo aos batimentos certeiros e aos suspiros sinceros.

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