Ele falava-lhe ao ouvido, cuidadosamente, como se tivesse medo que as suas palavras pudessem ser mal interpretadas. Recitava cada sílaba, parava por segundos em cada vírgula e respirava fundo a cada ponto final.
Ela, estranha, impossível de alcançar, ouvia. Desprezava-o mas não deixava de prestar atenção. Fazia-o, à sua maneira.
Ele insistia, pensava em cada frase, desenhava cada adjectivo como se fosse vital.
"- Não prestas atenção ao que te digo?"
"- Eu estou a ouvir tudo", retorquiu.
"- Não pareces minimamente interessada."
E Ele não percebia porquê.
"- Sabes, nós pomos nas palavras o peso exacto que elas têm e as tuas, pesam bem mais do que o que deviam."
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